Rogério Caetano

Rogério Caetano é instrumentista, arranjador, compositor nascido em Goiânia

Publicado em 3 de janeiro de 2012

Rogério Caetano de Almeida, nascido em  26/10/1977 , Goiânia
Instrumentista, arranjador, compositor.

Formação

O avô materno de Rogério Caetano tocava pé-de-bode (sanfona de oito baixos). O avô paterno era violeiro da cidade de Goiás, “catireiro” – termo relativo à catira ou cateretê, dança rural comum em Goiás, Minas Gerais e Sul do Brasil. Os pais, apesar de não tocarem nenhum instrumento, “sempre tiveram uma ligação muito grande com a música”.

Não demorou para os pais perceberem a aptidão especial para a música quando, com menos de cinco anos de idade, Rogério começou a “tirar umas músicas de ouvido” no violão de casa. Como o violão era muito grande para ele, seu pai disse que ia lhe dar um ‘violãozinho’ e comprou um cavaquinho. Foi seu primeiro instrumento”.

O primeiro professor foi Enéias Áquila, grande músico de Goiânia, cavaquinista e baterista, um verdadeiro mestre. “Eu era muito novinho. Tinha seis anos de idade. Só lembro que tirava as músicas de ouvido, mostrava pro meu professor e ele resolvia as minhas dúvidas.”

De tudo o que Rogério Caetano aprendeu ficou a certeza: “Além do treinamento do ouvido, de tirar as músicas sozinho, fator importantíssimo na minha carreira, o que mais valeu para mim foi a convivência com o choro e o samba, dois gêneros brasileiros que se tornaram minha principal referência na música”.

Houve alguém decisivo em sua formação musical: Nonato Mendes, baixista. “Ele abriu minha cabeça, tirou vários mitos, me mostrou outras informações da música mundial, de maneira geral. Ele foi decisivo na minha formação e na minha maneira atual de tocar e de enxergar a música.”

Rogério foi autodidata apenas no início.

“Aprendi a tocar violão de sete cordas sozinho, tirando as gravações de grandes como Dino Sete Cordas, Raphael Rabello e Valdir Silva. Eu tocava tudo intuitivamente, sem muita consciência. Só depois fui estudar harmonia, entender o que eu tocava. Tive acesso a informações características do jazz, de samba e choro, e desenvolvi minha própria maneira de tocar violão de sete cordas. Com a fusão de todos esses elementos, consegui desenvolver uma maneira de tocar. Isso foi sozinho, eu não sei explicar.”

Entre os músicos que Rogério Caetano considera os mais importantes para sua formação estão Nonato Mendes e outros mestres que lhe apresentaram o universo da música brasileira:

“O maestro Geraldo Amaral, que me ensinou leitura musical; Alencar 7 Cordas, que foi meu professor de harmonia; Fernando César e Hamilton de Holanda, grandes irmãos com quem aprendi muito tocando no grupo Dois de Ouro (1998-2002); e Daniel Santiago – ele, o Hamilton de Holanda e eu formamos o Brasília Brasil (n.e.: trio que se apresentou em várias capitais brasileiras e, também, nos Estados Unidos e Europa, em 2003; tem um disco – “Brasília Brasil – Abre Alas” [Caravelas, CD/2001]). Com eles aprendi a ter maturidade tocando, a me comportar como artista nas gravações, em shows, nos ensaios… Eles são grandes irmãos”.

Professor

Rogério Caetano foi professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello e da Escola de Música de Brasília. Hoje, dá aulas particulares.
Os alunos que mais o procuram são “em geral adultos, acima dos 20 anos”, profissionais ou em nível mais avançado do estudo da música.

Rogério ensina sete cordas, harmonia e improvisação. “Eu procuro passar minha experiência de uma forma bem prática, nós dois com o violão na mão, tocando. Mostro para o aluno o lugar onde as baixarias costumam acontecer, como elas podem ser feitas e executadas; estudamos isso no repertório, em todas as tonalidades e em todo o braço do instrumento.”

Rogério recomenda outras fontes em que também aprendeu: Almir Chediak, “Harmonia & Improvisação” (I e II, Lumiar Editora, 1986) e Luciano Alves, “Escalas para improvisação” (Irmãos Vitale, 2ª ed./1997). E, para ser lançado, o “Método Alencar 7 Cordas de Harmonia”, sobre árvores harmônicas.

Instrumentista

“Esse eu posso dizer que domino, sem falsa modéstia.” Assim Rogério Caetano fala sobre seu instrumento, o violão de 7 cordas.
Para acompanhar, prefere as cordas de aço; para solo, as de náilon.

Para estudar, “eu pego o violão e fico tocando, qualquer hora é hora. Quando vejo, passei o dia tocando”.

“Tenho o violão como um companheiro muito próximo. Fico com o violão o dia inteiro se puder. Não divido tempo de estudo. Costumo fazer sempre exercícios de técnica de mão direita e escalas para aquecer, depois pego o violão e fico tocando. Às vezes estudo ouvindo música, acompanhando o CD, ou tocando sozinho.”

Rogério Caetano considera que seu jeito de tocar é definido principalmente pelo fraseado, pelo uso de escalas que não são muito utilizadas no universo das sete cordas, “mas com a linguagem brasileira. Procuro fazer fraseologicamente ritmos diferentes dos que já foram feitos”.

A maneira de improvisar “é muito em cima do samba e choro, utilizando os conhecimentos do jazz, as escalas simétricas, as dominantes diminutas, escalas diminutas, escalas de tom inteiro, escalas alteradas, pentatônicas. Mas é muito natural, a mão vai antes da cabeça”.

Sua assinatura musical “é meu jeito de tocar, a fraseologia, o meu som. A pegada forte, essa forma de ter que tocar pra fora, tirando bastante som”.

Dino Sete Cordas, Raphael Rabello e Valdir Silva são suas maiores influências como instrumentista.

“Na adolescência, eu tirava tudo o que eles gravaram e tocava igualzinho. As gravações do Dino mais importantes pra mim foram as realizadas com o Regional do Canhoto, formado pelo trio de cordas Dino Sete Cordas, Meira e Canhoto; e as realizadas pelo Conjunto Época de Ouro. Do Valdir são as que ele fez com Roberto Ribeiro. E o Raphael acho que tudo, ele era genial, ele foi minha maior influência, com certeza.”

Compositor

Rogério Caetano compõe desde os “14, 15 anos, aproximadamente. Quando eu já tinha uma certa maturidade harmônica. Já me arriscava mais.”
Gravou o primeiro CD como participante do grupo Brasília Brasil (“Abre Alas”, Caravelas, 2001); o segundo, solo, (“Pintando O Sete”, Rob Digital, 2006) foi gravado entre 2003 e 2004; no terceiro – ainda a ser lançado -, o violonista se dedica a solar composições próprias ao violão de sete cordas, com as participações especiais de Hamilton de Holanda, Eduardo Neves e Leandro Braga.

O jeito de compor é natural, intuitivo. “Mas tem música que eu paro, não consigo terminar e tenho que trabalhar nela depois.”
Rogério Caetano terminou o Bacharelado em Composição Musical, na Universidade de Brasília (UnB), em 2004.

“O curso foi importante para que pudesse entender melhor a maneira mais erudita de compor, com uma ciência maior. Uso a intuição, mas também paro para pensar e experimentar outras técnicas de composição.”

“Minhas composições são baseadas no universo do choro e samba, mas também experimento novas harmonias, ritmos, sem preconceito nenhum. Procuro sempre manter na música minhas idéias fraseológicas. Tenho composições feitas para violão sete cordas de aço solar, acompanhado por outros instrumentos e músicas feitas para o violão solo, violão cheio, com harmonia.”

Ele define suas composições mais características como virtuosísticas, pela forma de tocar: “Folia das cinco” (gravada nos dois primeiros discos), “Correr com medo” e “Agora é a hora” (em “Pintando O Sete”).

Quanto às mais líricas, cita três valsas para violão solo: “Milena” e “Nosso amor” (em “Pintando O Sete”), dedicadas à sua mulher, e “Fraterna”, para o violonista Fernando César.

Dos compositores que mais admira cita Garoto, “pela modernidade de sua obra”; Hélio Delmiro e Marco Pereira, “pelo destaque melódico e harmônico que eles dão a suas obras”; e Raphael Rabello, “pela desenvoltura no instrumento e a utilização de todo o braço do violão em suas composições”.

Fã confesso de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Nelson Cavaquinho, Cartola, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi e Chico Buarque, sua lista inclui ainda Beethoven, Chopin, Debussy, Samuel Barber e John Williams, entre muitos outros.

Arranjador

Autor de arranjos para formação de conjuntos de choro e de samba, para trio e para orquestra de violões, Rogério Caetano os elabora “para somar à música, para ela ficar ainda mais bonita e, não, para competir com o original”.
Entre eles, destaca o que fez para a Orquestra de Violões de Brasília, de “Valsa para o Guinga”, de Milena Tibúrcio (CD “À Moda Brasileira, Tratore, 2003); e dois arranjos de samba para o CD de Juliana Diniz (“Juliana Diniz”, Universal Music, 2005) além dos que fez para grupo de choro para o disco “Piquenique – Choros e Valsas” (Produção Independente, 2005), com composições de João Tomé.

“Fiz arranjos para umas músicas de Milena, para o CD dela (“Milena Tibúrcio, Produção Independente, 2005) e para um curta de animação chamado “Os rins da ovelha”, (n.e: baseado em conto homônimo, de João Monteiro) dirigido por Betse de Paula, em 2003.”

Influências importantes em termos de arranjo: Radamés Gnattali,Villa-Lobos, Pixinguinha, Leandro Braga e Cristóvão Bastos.

“Admiro como eles transitam nesse universo. Fazem até parecer fácil.”

Carreira

Para Rogério Caetano, estas são as principais fases de sua carreira:
“A formação básica, o amadurecimento como instrumentista (na adolescência) e a fase atual, atingindo cada vez mais pessoas, tocando pra muita gente importante, pro povo brasileiro, pras pessoas de outro país. Isso é o principal, cada vez atingir mais pessoas com minha música”.

Hoje, se percebe “mais maduro, seguro, mais certeiro”, enquanto se dedica à carreira de violonista solo, sem deixar no entanto de acompanhar outros músicos.

Quanto às gravações mais representativas, Rogério Caetano destaca o CD “Abre Alas” (Caravelas, 2001), do trio Brasília Brasil, na fase inicial. Das gravações atuais, como solista, destaca “Pintando O Sete” (Rob Digital, CD/2006), o disco que, no momento da edição deste verbete, está gravando, e a participação no projeto “Violões do Brasil”, organizado por Myriam Taubkin, que redundou em livro, CD e DVD, lançados em 2005 (http://www.projetomemoriabrasileira.com.br/).

Como músico acompanhante aponta “Tantinho, Memória Em Verde E Rosa”, de Tantinho da Mangueira (Devanir Ferreira) (Produção Independente, CD/2006), “Acústico MTV Zeca Pagodinho 2 – Gafieira” (Universal Music, CD/2006), “Acariocando” (EMI, CD/2006), de Ivan Lins, e os CDs “Roda De Samba” e “Encontros Musicais”, da trilogia “Inédito E Eterno” (Selo Rádio MEC, 2007), lançada pelo compositor Délcio Carvalho.

Preferências

Rogério Caetano gosta de tocar tudo, principalmente música brasileira: forró, choro, samba, valsa, frevo, música caipira. “E também bolero.”
Ouve também de tudo.

Fonte: [http://musicosdobrasil.com.br/rogerio-caetano]

 




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